A catedral de Cusco que está localizada na Plaza de Armas
Cusco

Cusco: Roteiro e Dicas

A cidade de Cusco proporciona aos viajantes um verdadeiro mergulho na civilização inca. É impossível não deixar a região sem se impressionar com a grandiosidade das construções e com a história desse povo tão enigmático.

Não há voos diretos para Cusco, então é provável que você chegue à cidade após uma visita à Lima, ou uma conexão na cidade. O aeroporto é bem pequeno, então é bem fácil localizar o centro de informações turísticas, as agências de trem e de turismo em geral.

O Hotel em que nos hospedamos nos ofereceu transfer, então não precisamos nos preocupar com isso, mas há táxis na porta do aeroporto (a gente acredita que seja uma gentileza comum por lá, então consulte seu hotel). O que não é recomendável é a locação de carro, já que os deslocamentos dentro da cidade em sua maioria são feitos a pé e o trânsito no Peru, em geral, é bem caótico.

Para a maior parte dos pontos turísticos a ser visitado em Cusco e no Vale Sagrado, será necessária a aquisição dos boletos turísticos. O Boleto Religioso, que custa 25 soles, dá direito ao ingresso na Catedral (no horário da missa não é necessário), na igreja de San Blás, na Companhia de Jesus e no Museu de Arte Sacra e é vantajoso em relação à compra dos ingressos individuais. Ele pode ser adquirido na primeira atração que você visitar.

O segundo é o Boleto Turístico, que tem as versões parcial (para quem só vai visitar as 4 ruínas) ou o geral, com validade de 10 dias e que abrange as demais atrações do Vale Sagrado, com exceção de Machu Picchu. O boleto parcial custa 70 soles e o geral 130 soles e pode ser adquirido na http://www.cosituc.gob.pe ou na primeira atração que será visitada (nós acreditávamos que era necessário comprar com antecedência e ficamos apavorados quando não conseguimos ir ao comitê de turismo, mas depois descobrimos que era bem tranquilo comprar na primeira visita).

Considerando que há muito o que conhecer em Cusco e nos arredores, acreditamos que seja necessário, no mínimo 5 dias inteiros para aproveitar o destino.

1º dia: Chegada e Ambientação

No primeiro dia em Cusco é importante descansar e ir devagar nas atividades para permitir a ambientação à altitude para evitar o soroche (mal da altitude).

Nós chegamos em Cusco já no período da tarde. Fomos ao hotel, descansamos um pouco, começamos a tomar o chá de coca (normalmente disponível na recepção dos hotéis) e depois fomos dar uma volta para conhecer um pouco da cidade e visitar a Plaza de Armas e o Mercado de San Pedro.

Plaza de Armas: é a praça central da cidade, onde estão os principais monumentos, como a Catedral. Foi ali que Francisco Pizarro declarou a conquista de Cusco. O local já era conhecido pelos incas como um lugar de encontro (Huacapayta) e até hoje é considerado um local para as grandes celebrações, como as que assistimos durante a Páscoa. No centro da praça há uma estátua em homenagem a Pachacutec, considerado o fundador do império inca e um de seus mais importantes governantes.

Estátua de Pachacutec no centro da Plaza de Armas
Estátua de Pachacutec no centro da Plaza de Armas

Mercado de San Pedro: é um mercado tradicional de Cusco, onde se pode encontrar todos os produtos típicos peruanos. Ali se pode comprar desde alimentos como a quinoa e a maca (grãos nativos e conhecidos por suas propriedades naturais) até artesanato. Ainda que você não tenha interesse em adquirir nenhum produto, a visita é interessante para conhecer a diversidade de batatas e milhos que há no Peru, e por falar nisso, não deixe de provar a chicha morada, um suco feito com o milho escuro.

Mercado de San Pedro
Mercado de San Pedro
O milho escuro utilizado para fazer a bebida chicha morada.
O milho escuro utilizado para fazer a bebida chicha morada.

2º dia: City Tour e Visita às 4 Ruínas

Nós fizemos os nossos passeios em Cusco e no Vale Sagrado com a agência Fabulous Tour Peru. Contratamos os passeios ainda no Brasil com o Fred, que sempre nos respondeu prontamente e tirou todas as dúvidas.

O city tour e a visita às 4 ruínas nós fizemos em grupo, com aproximadamente 15 pessoas. Não era muita gente e acreditamos que por ser um passeio de meio dia e em localização próxima à cidade de Cusco valeria à pena. Sempre há o inconveniente de aguardar todas as pessoas saírem e retornarem ao transporte, assim como o tempo de visitação acaba sendo bem curto em cada lugar, mas no geral foi bem legal e recomendamos a realização deste passeio em grupo. Mas estar acompanhado de um guia é imprescindível, pois o interessante de visitar ruínas é entender a história do local e como as construções foram realizadas.

Nosso passeio teve início no centro de Cusco, onde visitamos a Catedral e o Templo do Sol (Koricancha). Depois fomos às ruínas que ficam no entorno da cidade: Sacsayhuaman, Qenqo, Tambomachay e Puca Pucara.

Catedral: esta é a terceira maior das Américas e fica na Praça de Armas da cidade. É de visitação obrigatória para iniciar a compreender as relações entre os conquistadores espanhóis e os incas. Foi subida no lugar de um palácio inca, algo comum por aqui, como parte da política da Igreja de catequização e para mostrar força e poder. O prédio maior, por falta de material disponível nas proximidades, foi construído com pedras de Sacsayhuaman, templo inca de adoração aos raios. Temendo reação negativa dos nativos, as pedras foram pintadas de preto para esconder a origem. A igreja tem um altar repleto de ouro e outro repleto de prata e há quadros pintados por artistas de Cusco que adicionaram elementos incas a tradicionais cenas religiosas, como é o caso da última ceia.

A catedral de Cusco que está localizada na Plaza de Armas
A catedral de Cusco que está localizada na Plaza de Armas

Korikancha:  foi um templo construído pelos incas para adoração ao sol. Contudo, com a conquista espanhola, cima do templo, a ordem religiosa dos dominicanos construiu o Convento de São Domingo. Mas há algumas partes conservadas, como uma sala em que se utilizava para descobrir o início do solstício de inverno (21 de junho) e de verão (22 de dezembro), de suma importância para saber quando seria o período de plantio e de colheita. Um dado interessante, algumas dessas paredes ainda conservadas, haviam sido cobertas com massa e tinta pelos espanhóis, mas em um dos grandes terremotos ocorridos no Peru, a cobertura se soltou, mas as paredes permaneceram intactas, evidenciando a capacidade de engenharia dos incas.

Vista do Pátio do Templo do Sol ou Koricancha
Vista do Pátio do Templo do Sol ou Koricancha

Sacsayhuaman: este era um templo incaico, que apesar de deteriorado pelas batalhas ocorridas entre espanhóis e incas ainda demonstra a grandiosidade das construções que ali foram realizadas. O tamanho das pedras impressiona, ainda mais porque eram trazidas de lugares distantes e a civilização inca não dominava a roda. O local ainda é bastante importante para a população cusquenha, pois é ali que se realizam as festividades do Inti Raymi (festa para o Deus Sol). O ingresso ao local está incluído no boleto turístico.

A grandiosidade das construções de Sacsayhuaman
A grandiosidade das construções de Sacsayhuaman
A paisagem de Sacsayhuaman
A paisagem de Sacsayhuaman

Qenqo: O curioso do local é que a formação rochosa natural é um labirinto (q’enqo em quéchua), que forma uma pequena caverna, onde os incas talharam na pedra uma maca, naturalmente muito gelada, propicia para intervenções cirúrgicas e mumificações. Há registros também de sacrifícios humanos no local, mas apenas de crianças entre 5 e 15 anos, consideradas puras. Essas eram oferecidas pelos próprios pais, pertencentes à alta sociedade inca, aos Deuses em momentos de dificuldades no império, como falta de chuvas. A entrada no local está incluída no boleto turístico.

Vista de Cusco desde Quenqo
Vista de Cusco desde Quenqo

Tambomachay: O local era utilizado para descanso do Inca (soberano do império). Lá há duas fontes de água, cuja origem é desconhecida. A pressão da água é a mesma nas duas fontes, que ficam lado a lado, e permanecem durante todo o tempo desta forma. Ali o Inca ia para descansar durante os percursos de ida ou vinda de Cusco, enquanto sua tripulação se hospedava e fazia escambos em Puca Pucara (como já estava escurecendo, não conseguimos visitar Puca Pucara, e apenas a avistamos do ônibus).

As fontes de Ttambomachay
As fontes de Tambomachay

3º dia – Chinchero, Salinas Maras e Moray

Neste segundo dia, continuamos fazendo nossos passeios com a agência Fabulous Tour Peru, mas dessa vez em tour privado. Pesquisamos bastante antes de definir o roteiro, escolher a agência e como faríamos, e vimos muitos relatos de que seria a melhor forma de aproveitar as atrações e conseguir aproveitar ao máximo os locais visitados.

Chinchero: era um palácio para um dos reis incas que se aposentou. O local foi parcialmente destruído pelos espanhóis, onde construíram uma igreja, que apesar de pequena, tem elementos bem suntuosos, como um altar laminado a ouro, com o intuito de evangelizar e converter os incas à religião católica. Ali é possível ver a engenharia e a capacidade de construção dos incas. Em Chinchero também visitamos um atelier de confecção de tecidos artesanais com lã de alpaca.

O charme das ruelas de Chinchero
O charme das ruelas de Chinchero
As terrazas de Chinchero
As terrazas de Chinchero

Salinas Maras: Acredita-se que as salinas datam de 800 a.C e que foram utilizadas, inclusive, pelos povos pré-incas. Há uma corrente de água salgada que vem do interior da montanha e se deposita nos espaços rasos, de cerca de 15 a 20 centímetros de altura. A colheita do sal é feita de forma natural. Estima-se que há poços 4000 poços, administrados por 250 famílias. O sal que é retirado dali se destina tanto ao consumo interno, quanto externo. O ingresso das salinas não está incluído no boleto turístico e custa 10 soles por pessoa.

Vista dos poços de sal das Salinas Maras
Vista dos poços de sal das Salinas Maras
A beleza e o contraste das Salinas Maras
A beleza e o contraste das Salinas Maras

Moray: ruínas de um centro de agricultura idealizado pelos incas para o plantio de espécies não nativas. A construção em formato de círculos permitia que se conservasse a temperatura e a irrigação ideal para as plantas. Ali é possível comprovar que os incas tinham grande capacidade de organização, planejamento e construção. A vista do local é incrível, principalmente quando você o contorna e o contempla de todos os ângulos.

Vista da subida em Moray
Vista da subida em Moray
A visita ao Vale Sagrado proporciona belas paisagens como esta.
A visita ao Vale Sagrado proporciona belas paisagens como esta. E no tour privado o guia parava sempre que ficávamos admirados para tirar uma foto.

4º dia: Pisac e Ollantaytambo

Neste dia continuamos os passeios em tour privado com nosso guia César, um cusquenho muito simpático (não que os outros não sejam rs… Aliás, achamos o povo peruano extremamente receptivo!). Ele explicava todos os detalhes sobre cada um dos lugares que visitávamos, pedia para o motorista parar o carro sempre que nos encantávamos com alguma vista para que pudéssemos tirar fotos e sanava todas as nossas dúvidas. E as atrações visitadas foram:

Pisac: este é um dos grandes sítios arqueológicos incas, com 4 km de extensão. Além dos famosos campos de cultivo, encontrados em outras obras desta civilização, o local conta com um complexo residencial que está em parte preservado. Como estávamos sozinhos com o guia, subimos ao topo das construções onde se tem uma vista panorâmica do lugar. A cidade de Pisac também é famosa em razão de seu mercado de artesanatos, que visitamos após o sítio arqueológico.

As terrazas agrícolas de Pisac
As terrazas agrícolas de Pisac e lá no topo parte das construções de moradias até onde subimos acompanhados do guia.

Ollantaytambo: a última e estratégica parada antes de Macchu Pichu (já que dali sai o trem para Machu Picchu, salvo na alta temporada quando também é possível partir de Poroy, que está mais próximo de Cusco). Esta é uma obra monumental da arquitetura incaica. Ali é possível perceber como os líderes escolhiam cuidadosamente o local para instalar suas construções, já que a obra de Ollanta (como é carinhosamente chamada) está perfeitamente situada entre lindas montanhas com um visual inacreditável. Além de ser um complexo agrícola, era também um local de práticas religiosas e de estratégia militar. Inclusive, conta-se que no local ocorreu grande combate entre os incas e os conquistadores espanhóis, e aqueles acabaram inundando a cidade para que os estrangeiros não chegassem à Machu Picchu.

Depois da visita, nos despedimos do nosso guia e ficamos em Ollanta para aguardar o horário do nosso trem e seguimos para Machu Picchu, mas sobre essa visita tão especial não falaremos agora e faremos um post exclusivo.

Vista parcial de Ollantaytambo
Vista parcial de Ollantaytambo
A subida pelas escadas de Ollanta grande, mas a vista lá de cima vale o esforço!
A subida pelas escadas de Ollanta grande, mas a vista lá de cima vale o esforço!
A posição estratégica entre as montanhas do sítio arqueológico rende uma belíssima paisagem
A posição estratégica entre as montanhas do sítio arqueológico rende uma belíssima paisagem

5º dia: Bairro de San Blás

Depois que retornamos de Machu Picchu tivemos mais um dia em Cusco antes de seguir para o nosso último destino no Peru. Resolvemos conhecer outras atrações que estavam incluídas no boleto religioso e por isso fomos até o Museu de Arte Sacra e à Igreja de San Blás e aproveitamos para passear pelo bairro que é muito charmoso e com vários cafés e restaurantes descolados.

Palácio Arzobispal: o ingresso está incluído no boleto religioso e por isso resolvemos conhecer. Chegando ao local, uma guia nos ofereceu o passeio pelo valor que pudéssemos pagar e a visita foi bem interessante. Trata-se de um museu de arte sacra que está localizado em uma bela mansão colonial. Há uma grande mostra de obras do barroco andino e que contam muito sobre o período da colonização peruana. E além disso, a arquitetura do local também merece ser apreciada, há, inclusive, um belo pátio no centro do museu.

Jardim interno do Palácio Arzobispal
Jardim interno do Palácio Arzobispal

Pedra dos 12 ângulos: a pedra que está localizada em um dos muros do Palácio Arzobispal é lendária e é parada certa dos turistas que caminham pela região. As construções incas já chamavam a atenção pelo perfeito encaixe entre as pedras sem a utilização de argamassa ou qualquer material que as unisse. E no caso da famosa pedra, a admiração é acentuada pelo fato de que sua junção com as demais é capaz de formas 12 ângulos, contados um a um pelos visitantes que passam pelo local. Vale a passagem para matar a curiosidade!

A pedra de 12 ângulos
A pedra de 12 ângulos

 

Igreja de San Blas: o ingresso também está incluído no boleto turístico. A visita não leva muito tempo, já que a igreja é pequena. Mas é possível subir na torre do sino, onde se tem uma bonita vista do bairro.

Vista da sacada da Igreja de San Blás
Vista da sacada da Igreja de San Blás

Plaza de San Blas: é uma pequena praça ao lado da igreja com uma bela fonte e um ótimo lugar para fazer uma pausa no percurso para contemplar o local. No entorno há diversos cafés descolados e lojinhas de artesanato, com preços melhores que os da Plaza de Armas.

Fonte da Plaza de San Blás
Fonte da Plaza de San Blás

Além dessas, outra atração que tem chamado a atenção de quem vai a Cusco são as montanhas coloridas de Vinicunca (Rainbow Mountains). Infelizmente não conseguimos encaixar o local no nosso roteiro em razão da indisponibilidade de tempo (já que tínhamos apenas 5 dias para ir a Cusco e Machu Picchu) e também pelo desgaste físico, já que as montanhas estão a quase 5 mil metros de altitude (enquanto Cusco está a 3800m e Machu Picchu a 3400m) e acreditávamos que não teríamos preparo suficiente para encarar essa caminhada. Mas fica a dica para quem quer se aventurar! Chegamos a ver esse passeio em uma agência no bairro de San Blas por 100 soles por pessoa com transporte e alimentação.

Vista das montanhas de Vinicunca - Fonte: Pinterest
Vista das montanhas de Vinicunca – Fonte: Pinterest

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